sexta-feira, 26 de setembro de 2014

124 anos de enrolação política

Na última segunda-feira, 22 de setembro de 2014, a cidade de São Gonçalo completou 124 anos de emancipação política. E, como nos anos anteriores, a vida do cidadão comum continuou o mesmo sofrimento após o desfile cívico-militar na rua Doutor Feliciano Sodré.

Em 1890 o Distrito de São Gonçalo deixava de ser parte de Niterói para se tornar independente, mas pode não ter sido bom negócio para quem ficou do lado de cá, já que Niterói ocupa a 7ª posição no ranking de desenvolvimento humano entre todos os municípios do país, enquanto São Gonçalo ocupa a 795ª posição.

Longe de poder comemorar, a programação gratuita de shows populares tinha como intenção fazer o gonçalense esquecer por algumas horas outros problemas como:

  • Insegurança. A cidade apresenta os piores índices de violência do estado do Rio de Janeiro, por isso a população se esconde em casa após o anoitecer.
  • Saúde precária. Torcemos para jamais precisarmos de atendimento médico de emergência porque sabemos que não há.
  • Falta saneamento básico. E falta asfalto em grande parte das ruas residenciais. Entre os 100 maiores municípios do país, a cidade ocupa a 90ª posição no ranking de saneamento básico.
  • Falta educação. O ensino municipal não prepara para o disputado mercado de trabalho. Até o fim do primeiro semestre algumas escolas ainda não tinham fornecido ao menos o uniforme às crianças.
  • Desemprego. São poucas as opções de emprego, principalmente fora do comércio varejista.
  • Má administração. A Prefeitura não coíbe o comércio ilegal e a propaganda irregular, não dispõe de um canal eficiente de comunicação com o cidadão e trata a cidade como seu quintal privado ao pregar em qualquer lugar placas de autoelogio às vésperas das eleições. Historicamente a administração pública gonçalense é um empregado irresponsável de um patrão ausente. Diante do fraco poder público, o setor privado, que obviamente só pensa nele mesmo, passa por cima da lei para vender e lucrar.

O que torna uma cidade socialmente mais justa é o exercício pleno da cidadania, que requer um determinado grau de instrução para ser despertado no povo. Somente 7% da população adulta de São Gonçalo possui ensino superior, enquanto em Niterói, cidade da qual se emancipou, esse mesmo índice chega a 34%. Não à toa, nem graças aos governantes, Niterói apresenta melhor infraestrutura, maior qualidade de vida e maior renda per capita. Pessoas mais instruídas tendem a cumprir seus deveres e exigir seus direitos.

Talvez você não tenha feito faculdade, mas certamente faz parte da população mais bem informada de São Gonçalo, afinal, tem acesso a internet e o hábito da leitura, qualidade incomum em todo Brasil. E provavelmente já se incomodou com algum problema, seja a sujeira nas ruas ou a desordem urbana, mas preferiu se omitir. O maior presente que você poderia dar à cidade e seus habitantes é protestar.


Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pela recuperação da Praça Chico Mendes

Praça Chico Mendes

Não consigo conceber como pessoas comuns, jovens, idosos e crianças poderiam utilizar uma praça tomada por estruturas de ferro. Sendo artistas de circo, talvez houvesse utilidade. Tão pouco compreendo como uma equipe de profissionais foi convencida a executar projeto tão estúpido.

Há 1 ano e 8 meses atrás, a Praça Chico Mendes, no bairro Raul Veiga, foi destruída por aqueles que deveriam protegê-la, a própria administração pública de São Gonçalo. E até hoje as três quadras poliesportivas e a pista de skate que haviam na praça e faziam parte das raríssimas opções de lazer que existem na cidade ainda não foram reconstruídas.

Em uma demonstração clara de fanatismo religioso e ignorância político-cultural, o nome da praça também tentaram modificar, cabendo ao povo adotar ou não a mudança. Enquanto estiver vivo jamais vou citar o novo nome, diante das condições arbitrárias em que o impuseram, embora se refira ao livro mais importante do mundo em número de cópias vendidas.

A transformação insensata da Praça Chico Mendes, quando o necessário era apenas uma reforma do que já existia, foi um ataque de ódio à população de São Gonçalo, principalmente ao público jovem que frequentava o local, às crianças que ali se divertiam, aos idosos que nela circulavam. Há tanta burrice neste ato que não coincidentemente a praça se encontra fechada com correntes e cadeados desde o fatídico dia da inauguração da obra.

Aqueles que projetaram este bizarro monumento à incompetência humana, engenheiros, arquitetos (se é que existiram) merecem ter suas licenças profissionais cassadas e jamais exercer novamente a profissão. Como R$ 2 milhões do dinheiro público foram desperdiçados e o patrimônio anterior, de valor inestimável porque era um espaço de lazer dentro de um centro urbano caótico, foi destruído de forma criminosa, cadeia para esses indivíduos, inclusive a responsável maior, a ex-prefeita Aparecida Panisset, não seria exagero. A Justiça poderia poupar somente o pedreiro que talvez passasse fome se não aceitasse o emprego. O resto deveria ser punido.

Se você mora em outro ponto da cidade, deveria ver o quão espantosa está hoje a praça com estas barras de ferro altíssimas emaranhadas em diversos sentidos. As lonas com passagens bíblicas, objetivo maior da reformulação fanática, estão rasgadas, dependuradas e quase não existem mais, deterioradas pela ação do tempo em menos de dois anos. Gostaria de conhecer quem teve esta ideia e não pensou em coisas tão óbvias, como o vento e a chuva. E quem a executou dificilmente acreditou que funcionaria.

Na verdade a destruição da Praça Chico Mendes deve ter sido uma descarada lavagem de dinheiro amparada pelo apelo religioso. Exija que a administração atual inicie imediatamente a recuperação total da praça.


Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Empresas poluem São Gonçalo livremente

É difícil dizer que tipo de poluição está mais presente em São Gonçalo: visual, sonora, do ar ou do solo (ruas e calçadas). Ao entrar no centro de qualquer bairro, a mente se confunde com tantas placas de anúncio penduradas em locais proibidos, como postes, árvores, muros… Os ouvidos são agredidos pelo uso excessivo e indiscriminado da buzina, fruto da intolerância no trânsito; as ruas são estreitas, congestionadas e o escapamento dos veículos as transformam em locais desagradáveis, difíceis de respirar; e ao redor de cada poste há uma pilha de lixo, a qualquer hora do dia, transformando o ato de caminhar em desafio ao olfato e ao corpo, diante da imundície. A culpada direta pela falta de fiscalização e pelo não cumprimento da lei é a Prefeitura, mas, além dos habitantes que não a respeitam, percebe-se facilmente que grande parte desta poluição vem das empresas instaladas na cidade, que agem de forma contínua e desenfreada.

Do hipermercado ao camelô, das gigantes do ramo de TV por assinatura às prestadoras ilegais desse mesmo serviço, passando inclusive pelas igrejas e universidades, que deveriam ser exemplos de cidadania para cidadãos com tão pouca instrução, não importa o tamanho da empresa ou instituição, a falta de respeito com a cidade e seus mais de 1 milhão de habitantes é vergonhosamente comum. Descartam o lixo de suas operações diárias como bem entendem: peixarias depositam nas calçadas a parte não comestível e fedorenta do pescado, açougues espalham nas ruas caixas de papelão sujas de sangue e oficinas depositam nas esquinas montanhas de pneus inutilizados. Bastaria guardar o próprio lixo em repositórios dentro de cada estabelecimento e entregá-los ao caminhão no ato da coleta. No entanto, não satisfeitos, colocam sua marca e promoções de produtos e serviços onde houver espaço disponível (ainda não ocupado por outra empresa ilegal) e de preferência ao ar livre, ao alcance da visão do maior número de pessoas.

Prefiro não chamar a Prefeitura Municipal de São Gonçalo de omissa ou incompetente porque a gravidade do problema exige adjetivos piores. Afirmo com a certeza de um cidadão que habita e circula na cidade há 25 anos que se existe fiscalização, ela é no mínimo ineficiente e certamente corrupta. Caso contrário as imagens abaixo não seriam tão cotidianas.


Por MÁRIO LIMA JR.

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Fazenda Colubandê continua abandonada


Fazenda Colubandê

Vândalos que certamente não compreendem o significado de patrimônio histórico e artístico picharam, mês passado, aquela que é a única atração turística urbana de São Gonçalo. Construída no século 17 e tombada pelo IPHAN há mais de 70 anos, a pichação permanece até hoje na parede frontal da Fazenda Colubandê, abandonada por todas as esferas de governo e pelos habitantes da cidade desde que deixou de ser utilizada pelo Batalhão de Polícia Florestal em 2012.
Iniciativas populares de ocupação do local, que não contam com a adesão necessária da população, não impedem que o mato tome conta do espaço, o acúmulo de entulho nas dependências, a infiltração causada pelas chuvas e demais males provocados pela falta de manutenção de um imóvel de grande porte. A participação dos gonçalenses nesse crime é bastante simples: não fomos capazes de exigir da administração pública o devido zelo com um dos poucos lugares arborizados da cidade onde é possível relaxar, caminhar ao ar livre, longe da poluição dos veículos, e de fácil acesso.
A Prefeitura de São Gonçalo, que exibe na página principal do seu site, como símbolo da cidade, bela foto da Fazenda Colubandê tirada antes da pichação, deveria no mínimo ter providenciado a pintura da fachada em respeito à cidade que administra. Mesmo que legalmente não seja responsável pela restauração, acredito que o governo do estado do Rio de Janeiro não ficará chateado por isso.
Por MÁRIO LIMA JR.

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