sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Projetos que movem a cidade adiante

Em São Gonçalo existem valiosas iniciativas populares que lutam para livrar a cidade da atual realidade miserável. Algumas ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, como o Festival de Rap e Cultura, mas destaco abaixo três grandes projetos que vi de perto em ação dedicando-se à arte, reciclagem e assistência social, atividades fundamentais para o desenvolvimento urbano neste século.

1. Uma Noite na Taverna

Assisti ao evento pela primeira vez há mais de sete anos e ainda o considero a maior riqueza gonçalense. A Taverna consegue reunir no mesmo espaço, uma vez por mês, música, artes plásticas e poesia de qualidade.

Chegando ao evento, o visitante é absorvido pela atmosfera da arte em pleno exercício e pode apreciar obras de escultores e pintores locais e ouvir boa música enquanto os poetas se preparam para declamar os trabalhos dos maiores nomes da poesia nacional e internacional. Essencialmente democrático, o público é incentivado a exercitar seu lado artístico e também apresentá-lo no evento.

Sempre com uma programação diferente, a Taverna é importante porque, através da disseminação da arte, forma cidadãos.

– Funcionamento: Na segunda sexta-feira de cada mês, às 19h, no SESC

– Preço: Gratuito

– Site: Uma Noite na Taverna – Facebook

2. Albergue da Misericórdia

A quantidade de lixo espalhado nas ruas de São Gonçalo é vergonhosamente assustadora. Nenhum bairro da cidade está isento do problema; a população não sabe lidar com o lixo que produz e o descarta de forma indevida. O Albergue oferece um serviço único, que é coletar diretamente nos domicílios o material reciclável, que representa 70% do lixo que geramos.

O material, recolhido gratuitamente, é levado ao centro de reciclagem para ser preparado e depois vendido. O dinheiro arrecadado auxilia na manutenção do projeto social de apoio a ex-presidiários e dependentes químicos.

O Albergue da Misericórdia, que permanece aberto a visitas durante o horário de funcionamento, é prova de que inteligência e boa vontade operam verdadeiros milagres. Lá até o material oriundo da limpeza dos chiqueiros é transformado em gás, utilizado na cozinha. Recicle seu lixo.

– Funcionamento: Segunda a sexta, das 8h às 17h, em Monjolos

– Site: Albergue da Misericórdia – Rota da Reciclagem

3. Pastoral dos Vicentinos

O trabalho dos vicentinos é doar aos pobres e necessitados gonçalenses aquilo que mais precisam: amor. Esta doação acontece através do contato amigável, da cesta básica mensal de alimentos e da orientação social e profissional. Centenas de famílias em situação de vulnerabilidade social são assistidas enquanto buscam o próprio sustento (em caso de acomodação, perdem o benefício).

Os membros da pastoral são voluntários, porém afirmam que o serviço é recompensador, pois também recebem amor em troca.

– Funcionamento: Reuniões às terças, às 20h, na Paróquia São Pedro de Alcântara

Sem qualquer apoio governamental, São Gonçalo não teria esperanças de vencer a desordem e ignorância se não fosse o esforço daqueles que se dedicam a projetos como esses.


Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O medo da violência

O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, coronel Fernando Salema, pediu calma e prudência à população de São Gonçalo através de vídeo divulgado pela Internet semana passada. Louvável a atitude do coronel, que demonstrou preocupação e se aproximou de um povo historicamente ignorado pelas autoridades. No entanto, é impossível ter calma morando em uma cidade onde até a creche, que existe ao lado do batalhão que ele comanda, encerra o expediente mais cedo como medida preventiva contra a violência.

Não são os boatos que tememos, são os fatos. Os altos índices de violência da cidade superam os números dos demais municípios do estado do Rio de Janeiro. Assaltos a pedestres e roubos de carros são frequentes, a qualquer hora do dia ou da noite. Casas e lojas são invadidas. Há relatos de estupro de mulheres abordadas caminhando em bairros populosos, como Alcântara. Aqui, vereadores e juízes que fazem seu trabalho com honestidade são assassinados. Como o cidadão comum não teria medo? Provavelmente você já foi vítima de algum tipo de violência ou conhece alguém que tenha sido.

Onde a presença do estado é maior, como nos bairros nobres de Niterói e do Rio de Janeiro, boatos de represálias não se propagam, o comércio não para no meio do expediente. Nenhum comerciante fecharia seu estabelecimento, causando prejuízos a si mesmo, se a ameaça que vem do tráfico não fosse real. Ninguém se trancaria em casa com medo se não tivesse certeza de que está vulnerável nas ruas.

Acredito no coronel quando diz que a polícia se esforça no combate ao crime e recentemente o efetivo policial de São Gonçalo foi aumentado para 780 integrantes. Mas, ironicamente, quando o cidadão vai à delegacia fazer boletim de ocorrência depois de ser assaltado, a polícia o orienta a não usar jóias, relógios ou roupas caras que despertem o interesse de bandidos. Significa, no mínimo, que o trabalho da polícia e seu efetivo ainda são insuficientes.


Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Não temos metrô nem barca porque sofremos calados

Ainda não construíram a Linha 3 do metrô e a estação das barcas em São Gonçalo porque nós, gonçalenses, somos majoritariamente pobres sem instrução que não lutam por seus direitos. A culpa é nossa, não dos governos.

Somos animais adestrados, passivos. Por isso a Linha 4 do metrô, ligando Ipanema à Barra da Tijuca, está sendo construída desde 2010, enquanto a construção da Linha 3 é prometida há décadas e ainda não foi nem licitada. É fácil dizer o que difere a população da Barra da Tijuca da população de São Gonçalo: rico forma opinião, reclama, enquanto pobre sofre calado. Não fomos capazes de exigir a coisa mais natural, que o 3 viesse antes do 4, enquanto eles conseguiram subverter as leis matemáticas.

Também graças à nossa apatia, a estação das barcas em Charitas foi inaugurada em 2010, enquanto a construção da estação gonçalense não é nem discutida, apesar de constar do contrato de exploração do serviço de transporte hidroviário. De acordo com este contrato, a estação de São Gonçalo deveria estar em funcionamento desde o ano 2000. E o que difere a população das duas cidades, Niterói e São Gonçalo? Os niteroienses são mais exigentes (além de estudarem por mais tempo e ganharem três vezes mais). Como os emergentes da Barra, ricos e instruídos não aceitam ser enganados.

São Gonçalo é o segundo maior colégio eleitoral do estado do Rio de Janeiro e já passou da hora de aproveitar isto a seu favor. Gasta-se facilmente mais de uma hora no trânsito para circular pela área urbana da cidade, suportando congestionamentos enormes, calor nos ônibus sem ar-condicionado, motoristas imprudentes e poluição. Vivemos, calmamente, desprovidos de transporte público de qualidade, um direito constitucional.

Não teremos barcas nem metrô enquanto não exigirmos, em massa, que os mesmos sejam construídos.


Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Governo maltrata a arte municipal

Entre os dias 10 e 30 de setembro de 2014, foram expostas no shopping Pátio Alcântara belíssimas obras de artistas plásticos gonçalenses. Ver a cidade com os olhos da arte, quando estamos habituados ao caos, revigora. A forma como essas obras são mantidas fora da exposição, no entanto, é revoltante.

O evento teria mais importância se fosse realizado em local aberto (como na extinta praça Carlos Gianelli, se a mesma não tivesse sido vendida), mas a iniciativa em homenagem ao aniversário de 124 anos de São Gonçalo, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, permitiu que os frequentadores do shopping apreciassem diferentes ângulos da cidade. Os problemas começaram depois que gostei tanto de um dos quadros que decidi tentar comprá-lo. A partir deste instante, testemunhei estarrecido o quanto a arte gonçalense é maltratada.

Ainda empolgado, resolvi buscar mais informações sobre a obra, talvez conhecer a artista que a pintou. Mas no local não havia site ou telefone dos responsáveis pela exposição, e esta foi minha primeira reclamação.

Dois dias depois, através do site da Prefeitura, achei o telefone e liguei para a Secretaria de Cultura. Disseram que o acervo pertencia à Casa das Artes Villa Real e que eu deveria entrar em contato com a mesma. Liguei imediatamente para a Casa das Artes e, apesar de muito bem atendido, não recebi nenhuma informação porque o Superintendente não estava presente. Minha segunda reclamação: informações de interesse público devem estar disponíveis, não podem “pertencer” a alguém. Fui orientado pelo atendente a ligar na semana seguinte.

Em vez de ligar, estive na Casa das Artes no dia e horário indicado, falei com o Superintendente e novamente fui bem atendido, mas ele também não pôde me ajudar. Procurou com empenho nas diversas gavetas e pastas avulsas pelo contato da Mônica Fonseca, artista que pintou o quadro que mais gostei, mas nada encontrou. Terceira reclamação: a Casa das Artes Villa Real não tem um catálogo organizado das obras que expõe, muito menos um cadastro simples dos artistas da cidade.

Uma semana após o fim da exposição, retornei à Villa Real na esperança de pelo menos rever o quadro. Mas não acreditei quando vi as obras, antes expostas no shopping, agora amontoadas em um depósito, coladas e danificando umas às outras, empilhadas de qualquer maneira junto com cadeiras e outros objetos que poderiam rasgá-las facilmente. As artes plásticas gonçalenses, que retratam as belezas naturais e o povo da cidade, são tratadas como entulho pelo governo municipal, que é responsável pela Casa das Artes Villa Real. Quarta reclamação.

Destaco que os funcionários muito se esforçaram para me atender, mas mesmo sem os recursos necessários que o governo não fornece, poderiam tratar a arte da cidade com mais cuidado.


Por MÁRIO LIMA JR.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Perfil do povo gonçalense

De acordo com os dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, o povo gonçalense é jovem, pobre e sem instrução. Com tristeza acrescento ainda, a partir da minha observação e da opinião de pessoas que vivem há anos em São Gonçalo, que somos mal educados e desleixados.

A faixa etária mais frequente na cidade, em ambos os sexos, oscila entre 30 e 34 anos de idade; nada anormal, pois em média a população brasileira é jovem. Contudo, São Gonçalo apresenta números inaceitáveis referentes a renda e educação: mais da metade da população cursou no máximo o ensino fundamental e a renda per capita é ligeiramente superior ao salário mínimo, insuficiente para o sustento digno.

Sabemos que o Brasil é um país economicamente desigual e que carece de investimentos na área de educação. Mas, em muitos municípios do país, pobreza e falta de instrução não impedem a prática do respeito entre seus moradores e o zelo para com o patrimônio da cidade. Em São Gonçalo, no entanto, o povo tem o vergonhoso hábito de jogar lixo na rua. Fumantes lançam o cigarro aceso no chão, crianças jogam papel de bala onde querem, adolescentes depositam o copo vazio de guaraná natural nos canteiros ou ao lado dos postes (como se postes fossem lixeiras), adultos compram salgado e refresco na lanchonete e depois jogam o guardanapo e o copo em qualquer lugar, e até os casais, depois de apaixonadamente tomarem um milkshake, jogam o copo vazio no meio-fio, entre a rua e a calçada, numa péssima demonstração de cumplicidade e ignorância.

Não à toa, a falta de educação (diferente da baixa escolaridade) é a característica do povo gonçalense mais citada pelos próprios habitantes da cidade. Mas, apesar de poucos, há quem veja qualidades no povo como honestidade, solidariedade e responsabilidade em relação ao trabalho. E as dificuldades impostas pela vida na cidade, como precariedade dos serviços públicos, falta de mobilidade urbana e desemprego nos obrigam a desenvolver outras qualidades para sobreviver, como resiliência e criatividade.

Se popularmente a principal característica do carioca é o estilo de vida despojado, praiano, a do paulista é a grande dedicação ao trabalho e a do gonçalense é a falta de educação, não podemos simplesmente nos conformar, rir desta imagem negativa e dizer “gonçalense é tudo favelado” ou “só podia ser de São Gonçalo”. Transforme seus hábitos ruins, invista em suas qualidades e oriente familiares e amigos a fazer o mesmo.


Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

124 anos de enrolação política

Na última segunda-feira, 22 de setembro de 2014, a cidade de São Gonçalo completou 124 anos de emancipação política. E, como nos anos anteriores, a vida do cidadão comum continuou o mesmo sofrimento após o desfile cívico-militar na rua Doutor Feliciano Sodré.

Em 1890 o Distrito de São Gonçalo deixava de ser parte de Niterói para se tornar independente, mas pode não ter sido bom negócio para quem ficou do lado de cá, já que Niterói ocupa a 7ª posição no ranking de desenvolvimento humano entre todos os municípios do país, enquanto São Gonçalo ocupa a 795ª posição.

Longe de poder comemorar, a programação gratuita de shows populares tinha como intenção fazer o gonçalense esquecer por algumas horas outros problemas como:

  • Insegurança. A cidade apresenta os piores índices de violência do estado do Rio de Janeiro, por isso a população se esconde em casa após o anoitecer.
  • Saúde precária. Torcemos para jamais precisarmos de atendimento médico de emergência porque sabemos que não há.
  • Falta saneamento básico. E falta asfalto em grande parte das ruas residenciais. Entre os 100 maiores municípios do país, a cidade ocupa a 90ª posição no ranking de saneamento básico.
  • Falta educação. O ensino municipal não prepara para o disputado mercado de trabalho. Até o fim do primeiro semestre algumas escolas ainda não tinham fornecido ao menos o uniforme às crianças.
  • Desemprego. São poucas as opções de emprego, principalmente fora do comércio varejista.
  • Má administração. A Prefeitura não coíbe o comércio ilegal e a propaganda irregular, não dispõe de um canal eficiente de comunicação com o cidadão e trata a cidade como seu quintal privado ao pregar em qualquer lugar placas de autoelogio às vésperas das eleições. Historicamente a administração pública gonçalense é um empregado irresponsável de um patrão ausente. Diante do fraco poder público, o setor privado, que obviamente só pensa nele mesmo, passa por cima da lei para vender e lucrar.

O que torna uma cidade socialmente mais justa é o exercício pleno da cidadania, que requer um determinado grau de instrução para ser despertado no povo. Somente 7% da população adulta de São Gonçalo possui ensino superior, enquanto em Niterói, cidade da qual se emancipou, esse mesmo índice chega a 34%. Não à toa, nem graças aos governantes, Niterói apresenta melhor infraestrutura, maior qualidade de vida e maior renda per capita. Pessoas mais instruídas tendem a cumprir seus deveres e exigir seus direitos.

Talvez você não tenha feito faculdade, mas certamente faz parte da população mais bem informada de São Gonçalo, afinal, tem acesso a internet e o hábito da leitura, qualidade incomum em todo Brasil. E provavelmente já se incomodou com algum problema, seja a sujeira nas ruas ou a desordem urbana, mas preferiu se omitir. O maior presente que você poderia dar à cidade e seus habitantes é protestar.


Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pela recuperação da Praça Chico Mendes

Praça Chico Mendes

Não consigo conceber como pessoas comuns, jovens, idosos e crianças poderiam utilizar uma praça tomada por estruturas de ferro. Sendo artistas de circo, talvez houvesse utilidade. Tão pouco compreendo como uma equipe de profissionais foi convencida a executar projeto tão estúpido.

Há 1 ano e 8 meses atrás, a Praça Chico Mendes, no bairro Raul Veiga, foi destruída por aqueles que deveriam protegê-la, a própria administração pública de São Gonçalo. E até hoje as três quadras poliesportivas e a pista de skate que haviam na praça e faziam parte das raríssimas opções de lazer que existem na cidade ainda não foram reconstruídas.

Em uma demonstração clara de fanatismo religioso e ignorância político-cultural, o nome da praça também tentaram modificar, cabendo ao povo adotar ou não a mudança. Enquanto estiver vivo jamais vou citar o novo nome, diante das condições arbitrárias em que o impuseram, embora se refira ao livro mais importante do mundo em número de cópias vendidas.

A transformação insensata da Praça Chico Mendes, quando o necessário era apenas uma reforma do que já existia, foi um ataque de ódio à população de São Gonçalo, principalmente ao público jovem que frequentava o local, às crianças que ali se divertiam, aos idosos que nela circulavam. Há tanta burrice neste ato que não coincidentemente a praça se encontra fechada com correntes e cadeados desde o fatídico dia da inauguração da obra.

Aqueles que projetaram este bizarro monumento à incompetência humana, engenheiros, arquitetos (se é que existiram) merecem ter suas licenças profissionais cassadas e jamais exercer novamente a profissão. Como R$ 2 milhões do dinheiro público foram desperdiçados e o patrimônio anterior, de valor inestimável porque era um espaço de lazer dentro de um centro urbano caótico, foi destruído de forma criminosa, cadeia para esses indivíduos, inclusive a responsável maior, a ex-prefeita Aparecida Panisset, não seria exagero. A Justiça poderia poupar somente o pedreiro que talvez passasse fome se não aceitasse o emprego. O resto deveria ser punido.

Se você mora em outro ponto da cidade, deveria ver o quão espantosa está hoje a praça com estas barras de ferro altíssimas emaranhadas em diversos sentidos. As lonas com passagens bíblicas, objetivo maior da reformulação fanática, estão rasgadas, dependuradas e quase não existem mais, deterioradas pela ação do tempo em menos de dois anos. Gostaria de conhecer quem teve esta ideia e não pensou em coisas tão óbvias, como o vento e a chuva. E quem a executou dificilmente acreditou que funcionaria.

Na verdade a destruição da Praça Chico Mendes deve ter sido uma descarada lavagem de dinheiro amparada pelo apelo religioso. Exija que a administração atual inicie imediatamente a recuperação total da praça.


Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Empresas poluem São Gonçalo livremente

É difícil dizer que tipo de poluição está mais presente em São Gonçalo: visual, sonora, do ar ou do solo (ruas e calçadas). Ao entrar no centro de qualquer bairro, a mente se confunde com tantas placas de anúncio penduradas em locais proibidos, como postes, árvores, muros… Os ouvidos são agredidos pelo uso excessivo e indiscriminado da buzina, fruto da intolerância no trânsito; as ruas são estreitas, congestionadas e o escapamento dos veículos as transformam em locais desagradáveis, difíceis de respirar; e ao redor de cada poste há uma pilha de lixo, a qualquer hora do dia, transformando o ato de caminhar em desafio ao olfato e ao corpo, diante da imundície. A culpada direta pela falta de fiscalização e pelo não cumprimento da lei é a Prefeitura, mas, além dos habitantes que não a respeitam, percebe-se facilmente que grande parte desta poluição vem das empresas instaladas na cidade, que agem de forma contínua e desenfreada.

Do hipermercado ao camelô, das gigantes do ramo de TV por assinatura às prestadoras ilegais desse mesmo serviço, passando inclusive pelas igrejas e universidades, que deveriam ser exemplos de cidadania para cidadãos com tão pouca instrução, não importa o tamanho da empresa ou instituição, a falta de respeito com a cidade e seus mais de 1 milhão de habitantes é vergonhosamente comum. Descartam o lixo de suas operações diárias como bem entendem: peixarias depositam nas calçadas a parte não comestível e fedorenta do pescado, açougues espalham nas ruas caixas de papelão sujas de sangue e oficinas depositam nas esquinas montanhas de pneus inutilizados. Bastaria guardar o próprio lixo em repositórios dentro de cada estabelecimento e entregá-los ao caminhão no ato da coleta. No entanto, não satisfeitos, colocam sua marca e promoções de produtos e serviços onde houver espaço disponível (ainda não ocupado por outra empresa ilegal) e de preferência ao ar livre, ao alcance da visão do maior número de pessoas.

Prefiro não chamar a Prefeitura Municipal de São Gonçalo de omissa ou incompetente porque a gravidade do problema exige adjetivos piores. Afirmo com a certeza de um cidadão que habita e circula na cidade há 25 anos que se existe fiscalização, ela é no mínimo ineficiente e certamente corrupta. Caso contrário as imagens abaixo não seriam tão cotidianas.


Por MÁRIO LIMA JR.

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Fazenda Colubandê continua abandonada


Fazenda Colubandê

Vândalos que certamente não compreendem o significado de patrimônio histórico e artístico picharam, mês passado, aquela que é a única atração turística urbana de São Gonçalo. Construída no século 17 e tombada pelo IPHAN há mais de 70 anos, a pichação permanece até hoje na parede frontal da Fazenda Colubandê, abandonada por todas as esferas de governo e pelos habitantes da cidade desde que deixou de ser utilizada pelo Batalhão de Polícia Florestal em 2012.
Iniciativas populares de ocupação do local, que não contam com a adesão necessária da população, não impedem que o mato tome conta do espaço, o acúmulo de entulho nas dependências, a infiltração causada pelas chuvas e demais males provocados pela falta de manutenção de um imóvel de grande porte. A participação dos gonçalenses nesse crime é bastante simples: não fomos capazes de exigir da administração pública o devido zelo com um dos poucos lugares arborizados da cidade onde é possível relaxar, caminhar ao ar livre, longe da poluição dos veículos, e de fácil acesso.
A Prefeitura de São Gonçalo, que exibe na página principal do seu site, como símbolo da cidade, bela foto da Fazenda Colubandê tirada antes da pichação, deveria no mínimo ter providenciado a pintura da fachada em respeito à cidade que administra. Mesmo que legalmente não seja responsável pela restauração, acredito que o governo do estado do Rio de Janeiro não ficará chateado por isso.
Por MÁRIO LIMA JR.

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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

4 passos para reciclar seu lixo


Tomada por pilhas de lixo que se acumulam nas ruas, geralmente em volta dos postes, São Gonçalo sofre com desrespeito e falta de zelo por parte dos setores civil, público e privado da sociedade. Em alguns bairros, como Centro e Alcântara, o problema é tão grave que enoja quem caminha pelas calçadas.
Não permita que o lixo de sua casa ou trabalho polua a cidade, descarte-o de forma inteligente:
  1. Adquira uma lixeira adicional e alguns sacos plásticos.
  2. Separe o lixo seco (latas, papéis, plástico, vidro) do lixo úmido (alimentos, fraldas, cigarros).
  3. Entregue somente o lixo úmido ao caminhão da coleta de lixo.
  4. Encaminhe o lixo seco ao posto de coleta de material reciclável mais próximo.
Percebemos imediatamente que a quantidade de material reciclável, que antes era desperdiçado, é bem maior que a quantidade de lixo não reaproveitável, que inevitavelmente polui o meio ambiente ao ser despejado no aterro sanitário de Anaia Pequeno pela empresa de coleta.
Se ainda não acredita que é fácil reciclar, lembre-se de que não é necessário comprar uma nova lixeira, basta colocar em sacos diferentes os dois grupos – seco e úmido. Além disso, não se deve lavar as garrafas e potes que serão reciclados, simplesmente tire o excesso de comida. E, uma vez por semana, o Albergue da Misericórdia coleta material reciclável em 17 bairros de São Gonçalo, permitindo a reciclagem sem sair de casa. Entre em contato com o Albergue pelo telefone (21) 2601-5015 e verifique se o seu bairro está na lista.
Atenção: pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes devem ter destino especial, geralmente o próprio local de compra.
Por MÁRIO LIMA JR.

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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Como transformar São Gonçalo em uma cidade melhor

Moro em São Gonçalo há 24 anos. “O azar é seu”, alguns dirão, principalmente os niteroienses; aqueles que não conhecem a cidade, depois de ler este artigo, talvez pensem o mesmo. Mas, não porque encontrarão no texto críticas sem propósito, zombarias ou lamúrias. O que pretendo é expor e debater este “azar” antigo para progressivamente transformá-lo em permanente maré de sorte. Os leitores gonçalenses, como estão no mesmo barco, espero no mínimo que remem juntos comigo.
São Gonçalo é uma cidade grande: mais de 1 milhão de pessoas ocupam 249 quilômetros quadrados. Apesar do tamanho, busco neste momento motivos para me sentir orgulhoso de viver aqui, mas não encontro um sequer. A pobreza humana brasileira, que maltrata a maioria dos municípios do país, está bem presente em São Gonçalo – nossa renda per capita é menor que um salário mínimo, somente 7% da população com mais de 24 anos concluiu o ensino superior e este ano foi decretado estado de calamidade pública na Saúde. Com indicadores tão desfavoráveis (Atlas Brasil 2013), a vontade de ajudar a desenvolvê-la é a única razão que me prende a cidade, pois seu povo também não desperta em mim esperança de dias melhores.
Corro o risco de ser injusto, visto que diversos aspectos compõem uma população de um milhão de habitantes, naturalmente complexa. Mas do povo de São Gonçalo a característica que mais se destaca é a desorganização, tanto social quanto política. Frutos do comportamento urbano caótico, o trânsito é ameaçador para veículos e pedestres, os centros dos bairros estão tomados pelo comércio ilegal e é hábito comum jogar lixo nas ruas, sem exceção, desde guimbas de cigarro a sofás. Se você mora aqui, percebeu esses males.
Mas, além de não repetir os erros dos outros, tenho algumas sugestões que podem transformar São Gonçalo em uma cidade melhor:
  • Reclame. Entre agora no site da Ouvidoria da Prefeitura Municipal de São Gonçalo e abra uma reclamação sobre aquele problema antigo que o aflige. A coleta de lixo que raramente acontece, a rua sem asfalto, esburacada ou mal iluminada, o esgoto a céu aberto etc.
  • Mantenha a limpeza. Não jogue lixo nas ruas.
  • Informe-se. Busque informação sobre o que acontece na cidade. O exercício da cidadania depende do conhecimento.
  • Cobre. O prefeito, seus secretários e os vereadores são pagos para resolver os problemas da cidade e servir à população. Vá até a Prefeitura, utilize o telefone ou as redes sociais para cobrar suas promessas de campanha. Verifique se a reclamação que você abriu está sendo atendida.
  • Vote com consciência. Escolha bem antes de confiar seu voto, conheça o candidato.
  • Invista na cidade. Tire do papel aquele sonho de criar um negócio. Só aqui você tem 1 milhão de clientes em potencial.
  • Desenvolva-se. Invista na própria educação e na de seus filhos.
Guardo a crença de que qualquer cidade ou nação deve seus indicadores socioeconômicos ao povo que a habita, não ao seu governo. São as pessoas comuns que têm o poder de criar as condições para positivamente influenciá-los.

Por MÁRIO LIMA JR.

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